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MP pede transferência de Sérgio Cabral por conta de regalias na prisão

Promotores dizem que o ex-governador montou "rede de serviços e favores" dentro das cadeias de Benfica e de Bangu, onde ficou preso anteriormente

Por Portal TNews 18/01/2018 às 10:24:42

O Ministério Público do Rio pediu a transferência do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), preso em uma penitenciária no bairro de Benfica, na Zona Norte do Rio, para um presídio em Curitiba. A informação foi publicada na edição desta quinta-feira (18) no jornal "O Globo" e confirmada pela TV Globo.

O pedido é referente às supostas regalias tanto em Bangu, onde esteve detido anteriormente, quanto em Benfica. Cabral nega. Os promotores dizem que houve uma "rede de serviço e favores" montada para o ex-governador dentro da cadeia e citam os seguintes privilégios:

"Videoteca": tentativa de instalação de um home theatre no presídio de Benfica, o que seria uma espécie de "sala de cinema", nas palavras dos promotores.

Academia: aparelhos de musculação de "bom padrão como halteres e extensores de uso exclusivo", o que não é permitido.

Quitutes: produtos de delicatessen como queijos, frios e bacalhau. Há resolução da Seap contra alimentos in natura.

Colchões: camas utilizadas na Rio-2016, padrão distinto dos distribuídos pela Seap.

Escolta: em Bangu, segundo o MP, Cabral teve livre circulação, com a proteção de agentes penitenciários.

Visitas: recebeu, fora do horário permitido, o filho Marco Antônio Cabral e outros deputados.

Encomendas: Recebimento direto, o que é proibido, e sem vigilância em "ponto-cego".

Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016 e já foi denunciado 20 vezes pelo Ministério Público Federal. Ele já foi condenado duas vezes pela Justiça Federal do Rio e uma pela Justiça Federal de Curitiba. A pena, até agora, é de 72 anos. As condenações são por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.

Os promotores pediram também que o secretário de Administração Penitenciária (Seap), coronel Erir Ribeiro, seja afastado do cargo, assim como outros cinco servidores da pasta: Sauler Antonio Sakalen, subsecretário da Seap; Alex Lima de Carvalho, inspetor de Bangu 8; Fernando Lima de Farias, subdiretor de Bangu 8; Fábio Derraz Sodré, diretor do presídio de Benfica; e Nilton Cesar Vieira da Silva, subdiretor do presídio de Benfica.



Erir recebeu doações de filho de Cabral

A denúncia cita a proximidade do secretário Erir, que foi comandante da Polícia Militar na gestão de Cabral, com o ex-governador. Lembra ainda que Erir foi candidato a vereador, tendo o apoio - inclusive financeiro - da família Cabral.

Procurada, a Seap afirmou que só vai se pronunciar quando for notificada. A ação, segundo O Globo, está na 7ª Vara de Fazenda Pública, ajuizado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do MP-RJ.

Depoimentos feitos ao MP afirmam que toda doação, como a da videoteca, passam pelo aval verbal ou escrito do secretário. Os procuradores dizem que a reação de Erir Ribeiro em casos como este foi apática.

Na cadeia de Benfica, foram encontrados camarão, queijo de cabra e bacalhau. Uma resolução da Secretaria de Administração Penitenciária proíbe a entrada de produtos in natura nas cadeias do estado. Uma das embalagens tinha o nome de Cabral na tampa.

A ação cita a instalação de um "cinema vip" e visitas feitas fora do horário permitido, muitas delas por deputados, como o filho Marco Antônio Cabral, e aliados do PMDB. Há suspeitas também do recebimento de medicamentos sem prescrição médica. Os remédios teriam chegado, segundo o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, após pedidos feitos pelo WhatsApp.

Já sobre Bangu cita a "escolta" de agentes penitenciários a presos e a suposta "rede de serviços e favores".


'Cinema vip'

Investigação do MP aponta que Sérgio Cabral chamou missionários de uma igreja evangélica, que já faziam orações na cadeia, à biblioteca do presídio, onde pediu que assinassem um termo falso de doação. Cabral teria dito a eles que fez uma "vaquinha", com os companheiros presos, para a compra do home theatre. Cabral nega.

Os procuradores afirmam que "mesmo em cárcere (ou suposto cárcere) o réu Sérgio Cabral continua a desempenhar aquilo pelo qual encarcerado foi: a gestão da coisa pública em seu benefício pessoal".


Bangu

Imagens do circuito de segurança mostram presos circulando livremente, fora do horário de banho de sol. O ex-governador aparece tendo regalias que superam até mesmo os padrões de Bangu 8. Recebia visitas fora de hora, na sala da direção do presídio.

De acordo com o livro de registros, a data e a hora em que Sérgio Cabral era levado até lá coincidem com a presença em Bangu do filho dele, o deputado Marco Antônio Cabral (PMDB).

Como mostrou a TV Globo, até as conversas com os advogados fugiam do padrão. O regulamento determina que o contato com o cliente seja feito num local específico: o parlatório. Mas as câmeras mostram que Sérgio Cabral saía dali e caminhava até o hall de entrada do presídio. Os advogados davam a volta por fora e chegavam ao mesmo local, mesmo em dias de chuva.

As notícias da vida fora dos muros chegavam depressa ao ex-governador. No dia 17 março, ele foi cercado no corredor e recebeu abraços, cumprimentos e o carinho dos companheiros de cela e de presídio. Sérgio Cabral retribiu emocionado.

O dia e a hora coincidem com a notícia de que a ex-primeira dama, Adriana Ancelmo, iria sair de Bangu para a prisão domiciliar. No fim de maio, os 146 presos de Bangu 8 foram transferidos para a cadeia José Frederico Marques, em Benfica.

Fonte: G1

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