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Como usar o celular sem medo de explosões e com uma bateria mais potente

Conheça os mitos e saiba as cautelas necessárias para proteger seu aparelho e sua saúde

Por Portal TNews 03/07/2018 às 08:59:04

"Celular explode e queima nádegas de comerciante". "Celular explode e mata jovem". "Celular explode e queima orelha de dona de casa". Manchetes como essas já não são raridade em jornais e sites e sempre nos deixam apreensivos.

Cada vez mais finos e multitarefas, os celulares não saem das mãos da maioria das pessoas na maior parte das 24 horas. Se, no princípio, eles tinham como única função a de realizar ligações, hoje a realidade deixa o alerta ainda maior para os riscos que tê-los em mãos pode causar, já que o aparelho funciona, para muitos, quase como uma segunda pele: para trabalhar, para estudar, para o lazer...

Mas, afinal, o que é mito e o que verdade em relação aos riscos que o aparelho pode causar à saúde humana?  Apesar de muitos boatos, como a história de um jovem que perdeu o maxilar ao explodir uma bomba perto da boca por conta de uma traição - e que teve o caso divulgado como sendo consequência da explosão de um celular - outros episódios, como o da Samsung com o Galaxy Note 7, por exemplo, mostram como uma falha de design e fabricação podem terminar em problemas reais. O aparelho, que causou diversos ferimentos através de explosões, chegou a receber um recall global e até companhias aéreas impediram a entrada dos dispositivos em suas aeronaves.

"Pode explodir sim. Depende da marca e do design, mas também de cuidados que o próprio usuário vem a ter", afirma o engenheiro eletrônico Marcus Assis. O site CORREIO24h conversou com Assis e outros técnicos para esclarecer sobre o que pode ocasionar explosões de aparelhos e danifica a bateria. 

Em geral, a causa dos acidentes envolvendo o pipoco de aparelhos está no aquecimento excessivo da bateria, que é preparada para agüentar até cerca de 135 ºC - acima dessa temperatura, o clima começa a esquentar dentro do aparelho.

O perigo ocorre porque as baterias são feitas a partir de uma composição química que conta, principalmente, com um produto chamado lítio. Caso esse produto "saia do seu lugar" e se misture com outros, a diferenciação dos componentes químicos ocorrem, gerando assim, uma possível explosão. Por isso, caso a bateria esteja aquecida ou violada de qualquer maneira, o risco é existente. Em contato com o ar, esse material entra em combustão. É aí que a explosão rola de fato. A combustão do lítio pode elevar a temperatura a 800 ºC, provocando chamas e causando queimaduras.

Para evitar essas pequenas (ou grandes) tragédias, confira as dicas dadas pelos especialistas que conversaram com o CORREIO:


1. Use baterias e carregadores originais

Somente os carregadores autorizados pelo fabricante do seu aparelho possuem a certificação necessária por quem desenvolve o produto para funcionar corretamente. Outros produtos podem gerar falhas que causem furos, pequenos ou grandes cortes e outros problemas que geram a saída ou mistura dos componentes químicos da bateria, ainda que, inicialmente, o aparelho pareça carregar de maneira normal com o carregador "pirata".

A dica, inclusive, é fundamental para que a vida útil de qualquer bateria seja mantida, já que, naturalmente, todas as baterias vão perdendo a sua força maior ao longo do tempo - e com carregadores falsificados, isso tende a ser acelerado.

Além disso, caso você venha a ter algum problema devido a falhas técnicas, o uso somente de produtos originais e licenciados pelo fabricante lhe dá a possibilidade de reivindicar os seus direitos de consumidor.


2. Não carregue no computador

Carregar os aparelhos apenas pelo cabo USB causa uma falta de proteção para além de 50%, já que o principal protetor dos carregadores originais fica na parte da tomada, que é, em geral, encaixada nos respectivos cabos. Assim, mesmo com um carregador original, a partir do momento em que somente o cabo está sendo utilizado, o risco de uma explosão passa a existir com muito mais facilidade.

Para além do tópico, os computadores, sejam notebooks ou não, tendem a obter uma descarga atmosférica muito maior do que ocorre nos celulares. Assim, a falta de proteção que ocorre quando somente o USB é utilizado, em soma com tais descargas, podem gerar um impacto no aparelho que ocasione em um curto.

Assim como nos computadores, também é recomendável evitar carregar os aparelhos em carros, já que o carregador veicular fica bem próximo ao motor do carro. E como o grande vilão das baterias é o calor, isso prejudica a capacidade de retenção no celular. O cenário pode ser ainda mais perigoso porque mais componentes podem estar funcionando ao mesmo tempo, incluindo faróis, limpadores e ar-condicionado, causando uma sobrecarga. Se ainda assim você precisar usar o carregador veicular (ou a porta USB do rádio), saiba que o carregamento pode não ser muito satisfatório, já que a corrente elétrica é bastante baixa.


3. Não deixe o aparelho exposto muito tempo ao sol

A praia é um dos ambientes mais perigosos para a saúde de uma bateria. É preciso deixá-lo na sombra para evitar o superaquecimento e bem longe da água, maresia e areia. Qualquer rachadura na carcaça (por mais pequena que seja) pode ser o suficiente para que um destes elementos entrem em contato com o circuito interno, causando um curto- circuito no aparelho.


Outra dica é também não deixar celular em cima de cama ou sofá, porque se pegar fogo, o aparelho não vai causar incêndio.


4. Evite umidade 

Outro cuidado a ser tomado é o de não deixar seu celular exposto à umidade do banheiro e cozinha, pois o vapor d"água causa oxidação e pode ser danoso à bateria de lítio.


5. Evite quedas e não sente em cima do telefone

Caso a bateria seja violada (com um furo, um corte ou o que quer que seja), o risco dos componentes químicos serem misturados e gerarem uma explosão ganha lugar. Com a queda, além dos furos, pode ocorrer, ainda, uma falha no faiscador, um item de segurança no celular que serve de filtro, separando os pólos positivo e negativo da bateria. A entrada de pó, a umidade, o calor e defeitos de fabricação podem romper o faiscador, fazendo a bateria entrar em curto-circuito.

O curto-circuito gera uma faísca - e essa faísca gera calor. Como a bateria do celular é bem compacta e o aparelho não tem nenhum tipo de ventilador, o calor fica preso e o celular se torna uma pequena panela de pressão. Se a alta temperatura conseguir amolecer o invólucro da bateria, que é feito de plástico, ele pode se romper.

Por isso, é fundamental que, após qualquer queda, o celular seja verificado por dentro e, de preferência, a depender do impacto, que seja levado na assistência técnica.


6. Fique atento ao levar na assistência

Apesar de levar o celular na assistência ser um tópico de zelo, esse próprio ato requer cuidado redobrado. É necessário saber, por exemplo, se o local utiliza apenas peças originais. Ao buscar o aparelho após um conserto, abra o produto e verifique, ainda, se o celular voltou com algo diferente em suas peças, para que possa logo ser revisto.


MITOS E VERDADES:

7. Tirar ao carregar 100%?

Os aparelhos produzidos a partir de 2017 não precisam necessariamente ser removidos da tomada assim que a carga da bateria estiver completa para evitar sobrecargas. Isso acontecia com as baterias mais antigas que utilizavam o níquel em sua composição (NiCd e Ni-MH), mas não com as de Li-Ion.

Os carregadores originais dos aparelhos possuem tecnologia inteligente que cessa o envio de energia assim que as baterias estão completamente carregadas, justamente para evitar problemas com sobrecarga. Assim, as baterias de Li-Ion, mais utilizadas nos aparelhos eletrônicos da atualidade, não correm, atualmente, o risco de ficarem "viciadas".

Caso o seu aparelho seja antigo, porém, o ideal é que não arrisque e retire-o do carregador logo ao completar 100%, já que o superaquecimento pode ocorrer.


8. Celular causa câncer?

Não. Um estudo feito em 2005 na Unicamp concretizou que o nível de radiação dos aparelhos não provoca anomalias no DNA humano. Para trazer danos às células humanas a radiação não ionizante, empregada em celulares, precisaria ser dez vezes superior ao limite permitido.

O físico Adelson de Brito, porém, afirma que estudos ainda se dividem sobre o assunto e, quanto maior for a magnitude da internet e maior for o uso diário do aparelho, os riscos não deixam de ser existentes. "Um celular com 4G tem uma carga de radiação muito maior do que um com 3G. Daqui pra frente piora. Então o ideal é que haja um cuidado, porque pode colaborar para outras doenças. Mas isso de dormir com o celular do lado causar câncer, não procede: o aparelho travado não emite radiação de tal maneira", pondera.


9. Celular pode explodir posto de gasolina?

Não. Um celular não tem voltagem suficiente para causar uma explosão em um posto de gasolina. Dos 243 incêndios ocorridos em postos nos últimos 11 anos, nenhum foi provocado por um aparelho celular. Um aparelho em uso - principalmente caso esteja sendo carregado dentro do veículo - pode, porém, colaborar com a amplitude de uma explosão caso ocorra algo dentro do próprio posto que iria gerar, de qualquer forma, o incêndio.


10. Celular derruba avião?

Não. É possível que as ondas do aparelho interferiram no funcionamento dos sistemas eletrônicos do avião através de uma interferência eletromagnética. A partir disso é que surge a recomendação de desligar os celulares em um voo. Essa interferência, porém, não é suficiente para derrubar uma aeronave ou causar um incêndio na mesma.


POR QUE IPHONES CORREM MENOS RISCOS DE EXPLOSÕES?

Gabriel Conceição*, técnico da iTwon, explica que as baterias do iphones contêm uma proteção para que o lítio não consiga escapar. Assim, o que acaba ocorrendo é um inchaço na bateria (ao invés de uma explosão), caso o lítio saia do seu devido lugar nos celulares da Apple.

O iphone ainda traz recursos de alerta, como avisos de superaquecimento ao estar exposto por muito tempo ao sol, bem como com congelamentos de tela para quando algum tipo de vírus tenta invadir o aparelho. Nesses casos, o ideal é deixar o celular em uma temperatura mais baixa, assim como é possível resetar o aparelho (pressionando, simultaneamente, o botão de trava e no botão circular que inicia o celular) caso ele trave como forma de emitir um aviso.

*O nome do técnico foi modificado por uma escolha da fonte.

Texto de Vanessa Brunt com orientação da editora Ana Cristina Pereira.

Fonte: Correio 24h

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