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As estratégias dos presidenciáveis para a reta final da campanha

Por TNews 24/09/2018 às 17:30:47

Apenas duas semanas separam os brasileiros do 1º turno das eleições de 2018. Para os dias que ainda restam da disputa presidencial, os candidatos estão terminando de calibrar suas diferentes estratégias para tentar uma vaga no provável segundo turno.

Preso a uma cama de hospital até segunda ordem, Jair Bolsonaro (PSL) lidera as pesquisas e pretende surfar na popularidade já conquistada, enquanto tenta conter declarações polêmicas de pessoas em seu entorno. Em segundo lugar na disputa, Fernando Haddad (PT) planeja continuar viajando a Curitiba (PR) para reforçar sua ligação com seu padrinho político, o ex-presidente Lula, hoje preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Paraná.

No pelotão logo abaixo na intenção de votos, segundo as pesquisas mais recentes, Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) almejam seguir a tática de discursar contra a polarização entre o petista e o ex-capitão do Exército.

Tucano e pedetista devem passar mais tempo em São Paulo nas próximas semanas, mas por motivos diferentes: Alckmin precisa reforçar sua votação no Estado onde foi governador por quatro vezes; já Ciro Gomes quer permanecer na cidade que sediará os próximos debates presidenciais na TV. A equipe de Ciro considera que ele tem se saído bem neste tipo de disputa televisiva.

Em queda livre na preferência do eleitorado, Marina Silva (Rede) assumiu postura mais agressiva contra seus principais concorrentes - principalmente Bolsonaro, o PT e o PSDB. A candidata continuará apostando em eleitores indecisos - principalmente mulheres, e sobretudo as de baixa renda. Nos próximos dias, deve concentrar suas agendas em São Paulo e no Rio. No fim de semana da votação, vai a Rio Branco (AC), onde vota.

Na última pesquisa do instituto Datafolha, publicada na quinta-feira (20), Jair Bolsonaro aparece isolado no primeiro lugar, com 28% das intenções de voto. Fernando Haddad está em 2º, com 16%. Bolsonaro e o petista cresceram nos últimos três levantamentos do Datafolha: há um mês, em 22 de agosto, Bolsonaro tinha 22% do eleitorado, e Haddad apenas 4%. Neste período, Alckmin manteve os mesmos 9%, e Marina caiu de 16% para os atuais 7%. Ciro Gomes está parado em 13% desde o levantamento de 10 de setembro do Datafolha.

Diante das curvas ascendentes de Haddad e Bolsonaro, e das tendências de queda ou estagnação dos adversários, é possível afirmar com certeza que apenas o ex-capitão do Exército e o ex-prefeito petista de São Paulo têm chances de chegar ao segundo turno?

Para o cientista político e professor do Insper Carlos Melo, não necessariamente. É improvável - mas não impossível - que candidatos como Ciro, Alckmin ou até Marina consigam dar a volta por cima antes de 7 de outubro.

"Em 2014, mais ou menos nesta época, eu estava na mesa de um evento com um colega, um analista político respeitado, e ele disse que a Marina Silva estava eleita (para o 2º turno com Dilma Rousseff, do PT). Argumentava ele que, em 90% das situações em que um candidato chega a esta altura da campanha com aquela intenção de voto, acaba eleito. E ela, como se sabe, não foi", relembra o professor do Insper e colunista do UOL.

Em setembro de 2014, Marina Silva (então candidata pelo PSB) dividia a liderança da disputa com Dilma Rousseff (PT). A ex-presidente petista tinha de 40 a 45% do eleitorado, dependendo do cenário, e Marina, de 27 a 31% (Datafolha, 26/09). Aécio Neves (PSDB) estava em terceiro lugar (18 a 21%). Naquele ano, Marina assumiu a cabeça de chapa num momento de comoção pela morte precoce de Eduardo Campos (1965-2014), num acidente aéreo durante a campanha.

Alvo de pesados ataques petistas e tucanos, Marina já estava em trajetória de queda, enquanto Aécio estava crescendo. O senador mineiro só ultrapassou a líder da Rede no último minuto: a primeira pesquisa na qual ele apareceu à frente de Marina foi a do Ibope, em 4 de outubro de 2014.

"As eleições brasileiras são sempre muito emocionantes, até o final. Pelo lado lógico, dos números, podemos afirmar que Bolsonaro e Haddad têm as maiores chances de chegar ao segundo turno. Mas a experiência nos obriga a colocar uma interrogação aí no meio", diz Melo.

Segundo o professor do Insper, candidatos menos cotados realmente acreditam que, na contramão das pesquisas eleitorais, têm chances de ir ao segundo turno. Membros da elite política costumam ser muito autossuficientes e ter uma autoestima acima da média.

"Eles não insistem nisso (na possibilidade remota de vitória) só porque é a única coisa que podem fazer. Só para cumprir tabela. Dizem isso porque realmente acreditam que podem vencer. E, em alguma medida, podem mesmo", diz ele.

Nesta reportagem, a BBC News Brasil considerou apenas os candidatos com mais de 1% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, divulgada na última quinta-feira. São eles: Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo).

Além destes, também estão na disputa os candidatos Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), Eymael (DC), João Goulart Filho (PPL) e Cabo Daciolo (Patriotas) - mas estes candidatos têm 1% ou 0% das intenções de voto.

Conheça as estratégias de cada candidato para a reta final da campanha.

Jair Bolsonaro

Depois de sofrer uma facada em um comício em Juiz de Fora no dia 6 de setembro, o candidato do PSL segue internado e sem previsão de alta no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Na reta final da campanha, nada de debates, viagens ou comícios - situação sui generis para um político à frente das pesquisas.

A julgar pelas declarações de fontes ouvidas pela BBC News Brasil, a aposta é de continuar a surfar na popularidade já conquistada e se beneficiar da falta de exposição imposta pela convalescência, além da solidariedade do eleitor com ele após o ataque de violência física.

As aparições em vídeo do candidato-paciente no hospital devem se tornar mais frequentes, com transmissões ao vivo diárias "para conversar com a população" - sempre respeitando os limites estabelecidos pela equipe médica, afirma o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

"Nossa segunda linha de ação é chamar os apoiadores para carreatas, bandeiraços e movimentos de rua, para ocupar o espaço que o atentado político impediu o capitão de ocupar", afirma Lorenzoni, que atua na articulação política da campanha. "É uma troca de guarda. Enquanto o capitão se recupera no hospital, a militância vai para a rua de verde e amarelo."

Paralelamente, a campanha se ocupa de evitar danos à imagem de Bolsonaro e apagar incêndios, como as polêmicas geradas na semana passada por declarações do candidato a vice, general Hamilton Mourão (que falou que lares geridos apenas por mães e avós seriam "fábricas de desajustados"), e do coordenador do programa econômico, Paulo Guedes. As declarações deste último sobre a criação de um imposto semelhante à CPMF repercutiram mal e foram negadas por Bolsonaro nas redes. Mais tarde, porém, o candidato defendeu Guedes em entrevista à Folha de S. Paulo.

"A campanha vai ser a mesma que vem sendo feita", diz Luciano Bivar, presidente licenciado do PSL. "Nosso discurso não é fabricado, é verdadeiro. Não tem por que mudar", afirma, dizendo-se esperançoso em uma vitória "já no primeiro turno".

Desde o atentado, a intenção de votos em Bolsonaro pulou de 22% para 28%, segundo Ibope e Datafolha. Sua rejeição, entretanto, ainda é a mais alta, chegando a 43% na pesquisa Datafolha.

No próximo sábado, Bolsonaro enfrentará uma série de protestos convocados em diferentes cidades pelo movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro.

"É o que tem maior potencial de mudar a intenção de votos até as eleições", considera o cientista político Maurício Santoro, da Uerj. "É uma rara iniciativa política que conseguiu ultrapassar limites entre direita e esquerda na campanha."

Bivar diz não se preocupar. "Absolutamente não. Isso é um exagero. São meia dúzia de artistas de TV (convocando os protestos). As informações que temos é que as mulheres estão distantes disso", afirma, apesar de o grupo ter 2,7 milhões de participantes nas redes sociais.

Nesta reta final, há ainda o desafio de manter coesa uma campanha que era centralizada em Bolsonaro, mas vem sendo marcada por desavenças e disputas com o líder acamado.

"Desde o atentado, fecharam o cerco e ninguém consegue chegar perto do Bolsonaro", diz uma fonte próxima ao deputado, ressentida contra o controle estabelecido por Gustavo Bebianno, presidente interino do PSL, e sua esposa, Renata. Nenhum dos dois atendeu a sucessivos pedidos de contato da reportagem.

"Eles tomaram a assessoria de comunicação, as agendas e não atendem ninguém", diz a fonte. "Liga gente do Brasil todo pedindo material para caminhadas, carreatas, mas ninguém atende, não tem material. Está difícil para fazer campanha."

O único plano na agenda de Jair Bolsonaro fora do hospital, por enquanto, é votar na Vila Militar, no Rio, no dia 7 de outubro.

Fernando Haddad

Nos últimos dias, a reportagem da BBC News Brasil ouviu uma mesma avaliação de quatro fontes distintas no entorno de Fernando Haddad: ainda não está concluído o processo de transferência de votos do ex-presidente Lula para ele. Por isso, as próximas semanas serão dedicadas a reforçar a ligação entre os dois.

Cumprindo com um acerto pessoal com o ex-presidente, Haddad continuará visitando Lula em sua cela de Curitiba. O candidato foi à capital paranaense nesta segunda-feira e irá na próxima segunda, dia 1º de outubro.

Presidente de honra do PT, Lula está preso em Curitiba desde abril deste ano, após ser condenado pela segunda instância da Justiça no caso do tríplex do Guarujá. Na madrugada do dia 1º de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o registro da candidatura do ex-presidente - Haddad só foi oficializado como candidato pelo PT em 11 de setembro.

Um dos petistas ouvidos pela BBC News Brasil usou o Estado de Pernambuco como exemplo da ideia de que a transferência ainda não acabou. Em 21 de agosto, pesquisa do Ibope indicou que Lula tinha 62% das intenções de voto no Estado onde nasceu. Na semana passada, outra pesquisa do mesmo instituto mostrou Haddad liderando no Estado, mas com apenas 26% dos votos.

O roteiro de viagens de Haddad inclui estados aos quais ele ainda não foi: esta semana, irá a Manaus (AM) e Belém (PA). Também participará dos debates televisivos entre candidatos no SBT, promovido em parceria com UOL e Folha de S. Paulo (quarta-feira), e Record (domingo). Para os próximos dias, há a previsão de voltar ao Rio de Janeiro e ir também a Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS), base eleitoral da candidata a vice de Haddad, Manuela D'Ávila (PCdoB).

No discurso, Haddad deve fazer poucos ataques a outros candidatos que não Jair Bolsonaro: não faz sentido, dizem pessoas da campanha, dar palanque para adversários que estão abaixo do petista nas pesquisas. "Vamos manter a linha propositiva. Sem ataques. Ele vai frisar o papel que teve como ministro da Educação de Lula (2005-2012) e reiterar as promessas de geração de emprego, de retomada da economia", diz uma fonte.

"Outra coisa que entrou no nosso radar, como um eleitor a ser buscado, é o voto de esquerda, de classe média, do sudeste e do Sul. É um público que começou um movimento de migração para o Ciro (Gomes), e que a gente quer trazer de volta", diz a mesma pessoa ligada à campanha.

Nos próximos dias, o PT quer também botar a máquina partidária para funcionar: atos de rua e carreatas foram convocados para este fim de semana em todas as 95 cidades com mais de 200 mil habitantes do país, e a ideia é que sejam realizados pelos núcleos petistas nestes locais.

Ao mesmo tempo, Haddad e economistas ligados a ele têm mantido conversas regulares com investidores e profissionais do mercado financeiro: o objetivo é desfazer a ideia de que ele é tão extremista quanto seu provável adversário no segundo turno, Bolsonaro - nem sempre de forma bem sucedida.

Neste sábado, a campanha do petista foi representada pelo economista Guilherme Mello numa conferência de investidores da empresa XP Investimentos, em São Paulo. Mello foi vaiado quando mencionou o ex-presidente Lula, que "infelizmente não pode ser candidato". "Entendo que temos diferenças de opinião, mas devemos ouvir os projetos com calma, sem rancor", disse Mello em resposta.

Ciro Gomes

Na corrida para tentar ultrapassar Haddad e chegar ao segundo turno, Ciro realizou uma maratona por nove estados entre a sexta-feira e esta segunda, com foco principal no Nordeste, reduto do eleitorado lulista e também onde ele, ex-governador do Ceará (1991-1994), tem ido melhor nas pesquisas. A agenda previa compromissos no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro.

A previsão para as próximas duas semanas, porém, é desacelerar e ficar mais tempo em São Paulo, onde ocorrerão os próximos debates presidenciais em redes de televisão. Em 4 de outubro, a Globo realiza o último debate presidencial, no Rio de Janeiro. Ciro deve ficar na cidade também nos dias anteriores, preparando-se para os embates.

Sua campanha entende que o candidato vai bem no enfrentamento com os concorrentes e por isso esses três confrontos serão estratégicos para alavancar seus votos. O candidato do PDT quer reforçar propostas de grande apelo popular nas áreas de saúde e educação, assim como a promessa de renegociar as dívidas de brasileiros com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Mas o debate não será apenas propositivo: Ciro também vai mirar os líderes nas pesquisas. Segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi, Ciro tentará se mostrar como melhor opção entre os "extremos". A estratégia indica uma tentativa de reposicionar o candidato - bastante associado ao campo da esquerda nessa eleição - mais ao centro.

"Vamos continuar com essa linha de ser opção independente, que saia dessa polarização de ódio, entre 'coxinhas' e 'mortadelas'. Mostrar tanto o que representa o Bolsonaro, de atraso, de retrocesso para o país, quanto o Haddad, de inexperiência, de uma candidatura dependente do que o partido e seu comandante (Lula) quiserem", disse Lupi à BBC News Brasil.

O estilo assertivo do candidato, que às vezes gera acusações de agressividade, no entanto, não deve ser modificado, já que há uma percepção de que o eleitor nesta eleição está mais propenso ao discurso menos moderado.

Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, o cenário está difícil para Ciro porque as pesquisas têm mostrado uma rápida transferência de votos de Lula para Haddad, que tende a continuar, colocando petista no segundo turno contra Bolsonaro.

Na sua avaliação, Ciro pode ter uma chance de atrair o voto útil e ultrapassar Haddad se continuar aparecendo nas pesquisas próximo a ele no primeiro turno, e com mais chances de vencer Bolsonaro no segundo.

"O último Datafolha segue indicando isso, mas o Ibope já mostrou Haddad bem na frente e Ciro com menos força no segundo turno", diz Cortez.

Geraldo Alckmin

Contrariando as expectativas de muitos analistas políticos, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, mesmo sendo dono do maior tempo de propaganda eleitoral de rádio e TV, não conseguiu deslanchar nas pesquisas de intenção de voto. Na última semana, ele apareceu com 6% no levantamento do Ibope e 9% no do Datafolha, empatado com Marina Silva (Rede) em quarto lugar, atrás de Bolsonaro (PSL), Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT).

Segundo aliados ouvidos pela BBC News Brasil, após visitas a Estados do Nordeste no último fim de semana, o tucano tem programado também compromissos no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. O foco principal da campanha, porém, será São Paulo, Estado que o reelegeu governador em primeiro turno com 57% dos votos em 2014 e é o maior colégio eleitoral do país (soma 33 milhões de eleitores, 22,5% de todos os 147 milhões de votantes do país).

Segundo recente pesquisa Ibope, Alckmin tem hoje apenas 13% de intenção de voto entre os paulistas, mesmo percentual de Haddad. Bolsonaro lidera a preferência no Estado, com 30%.

"O foco específico agora é São Paulo, é onde ele tem mais potencial (para crescer). Aqui historicamente temos mais de 40% dos votos. Queremos reverter essas pesquisas e só se faz isso com mobilização, presença", afirma o deputado federal Silvio Torres (SP), tesoureiro do PSDB.

"São Paulo é onde ele pode ter resposta mais rápida", concorda Roberto Freire, presidente do PPS, um dos partidos que apoiam Alckmin.

A campanha de Alckmin também adotou tom mais pesado nos ataques a Bolsonaro e Haddad na última semana. A intenção é reforçar a mensagem de que - ao contrário dos outros dois - o ex-governador de São Paulo tem experiência e apoio de partidos com peso no Congresso para aprovar suas propostas caso eleito.

"A estratégia é continuar mostrando as fragilidades do Bolsonaro e a necessidade de fazer o voto útil (em Alckmin), ressaltando que botar o Bolsonaro no segundo turno (contra o Haddad) certamente vai trazer o PT de volta pro governo", reforça Torres.

Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, faz sentido o tucano focar a campanha em casa, embora os votos em Bolsonaro pareçam consolidados e de difícil reversão.

"Não adianta buscar outros eleitores, sem antes garantir o apoio em sua base. Se ele recuperar votos em São Paulo e subir um pouco nas pesquisas, pode conseguir convencer outros eleitores a fazer o voto útil", afirma o cientista político Jairo Pimentel Jr, pesquisador da FGV.

Na avaliação de Rafael Cortez, o mau desempenho de Alckmin em São Paulo reflete o desgaste do PSDB devido à Lava Jato e ao apoio ao governo de Michel Temer - isso levou parte do seu eleitorado, fortemente anti-PT, a migrar para Bolsonaro.

Além disso, ressalta Cortez, o cenário para campanha tucana no Estado é dificultado por dois fatores: o aumento da rejeição a João Doria, que deixou a prefeitura paulistana para concorrer ao governo pelo PSDB, e o "palanque duplo", já que Márcio França (PSB), que vice de Alckmin e assumiu o comando de São Paulo em abril, está tentando a reeleição. Na quinta-feira, Alckmin fez campanha em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, e nenhum dos dois apareceu.

Marina Silva

Marina disputa sua terceira eleição presidencial. Em sabatinas e falas públicas, a candidata da Rede Sustentabilidade tem se dedicado a criticar os partidos tradicionais, batendo na tecla da renovação da política. "Os que já tiveram uma chance, como PT, MDB e PSDB, que não aproveitaram essa chance, que a usaram para enriquecimento ilícito e para levar o Brasil ao fundo do poço, podem também esclarecer para o povo brasileiro o porquê deles agora quererem voltar", disse ela no fim da semana passada, no interior de São Paulo.

Em queda livre nas pesquisas, Marina enfrenta uma série de dificuldades para evitar a fuga de eleitores - falta de dinheiro e os escassos 16 segundos de TV são os principais problemas. Dos cinco presidenciáveis mais bem colocados, Marina é a que tem a segunda campanha mais franciscana, atrás apenas de Bolsonaro. Ela declarou até agora ter recebido R$ 5,3 milhões do Fundo Eleitoral, enquanto Alckmin já abocanhou R$ 49,3 milhões da mesma rubrica. Haddad e Ciro Gomes já receberam, cada um, cerca de R$ 20 milhões do Fundo.

A restrição financeira diminui a capacidade da campanha de Marina de reagir a mudanças na conjuntura - os vídeos são um exemplo do horário eleitoral são um exemplo. O lote atual, com 13 filmetes, começou a ir ao ar depois que Haddad foi oficializado candidato do PT. Para compensar essas deficiências, Marina intensificará os eventos de rua, inclusive fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília, segundo integrantes da campanha.

O foco da Rede continua sendo a busca do eleitor indeciso - ou seja, mulheres, principalmente de menor renda. "Tanto os nossos trackings (pesquisas internas) quanto Ibope e Datafolha mostram que a maior parte das mulheres segue indecisa. Como Marina é a única candidata mulher entre os primeiros colocados, ela desde sempre tem mirado esse público. Mas existe também um eleitor jovem, de classe média (a ser buscado)", diz um assessor. De fato, a última pesquisa Datafolha mostra que 51% das mulheres ainda não decidiram em quem votar.

Para a próxima semana, a agenda da candidata prevê uma viagem ao Recife (PE), e depois ao Rio de Janeiro, onde ela participa do último debate presidencial na TV antes do primeiro turno, na Rede Globo. No fim de semana das eleições, Marina deve retornar ao Acre, onde votará.

Alvaro Dias

Alvaro Dias (Pode) reforçará seu discurso contra o "voto útil" - e o alvo da pregação é o candidato tucano, Geraldo Alckmin. "O Alckmin entrou nesta linha de que votar em Alvaro e João Amoêdo é ajudar a eleger o PT. O que o senador vai enfatizar é que este 'voto útil' é, na verdade, inútil. Que as pessoas deveriam votar conforme suas convicções, e não no 'mal menor'", diz uma assessora de Dias.

Na última pesquisa Datafolha, o candidato tinha 3% das intenções de voto.

"Ele vai frisar que o verdadeiro voto útil é aquele em quem tem experiência administrativa e ficha limpa", diz a colaboradora. "Alvaro vai defender o próprio legado, falar de seus feitos como governador do Paraná (1987-1991) e como senador (desde 1999). E apontar o histórico dos adversários: Bolsonaro hoje fala contra a corrupção, mas votou junto com o PT várias vezes no Congresso, apoiou Lula em 2002", diz ela.

Atualmente senador pelo Podemos do Paraná, Alvaro Dias confirmou presença nos próximos três debates televisivos - SBT, Record e Globo. Apoiado por uma aliança de quatro pequenos partidos, Dias focou sua campanha no combate à corrupção. Chegou a dizer que convidaria o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos casos da Lava Jato no Paraná, para seu ministério. Moro não se manifestou sobre o convite.

João Amoêdo

Candidato da primeira disputa presidencial do Partido Novo, que ajudou a fundar em 2015, Amoêdo tem viajado o Brasil com a missão de tornar a legenda, suas ideias e seu nome conhecidos entre os eleitores. Atualmente conta com 3% das intenções de voto, segundo o Datafolha, e 2%, de acordo com o Ibope.

A peregrinação continuará nas duas semanas antes do pleito, com planos de visitar Maringá e Londrina (PR), saudar comerciantes no comércio popular da rua Saara, no Rio, encontrar delegados de polícia em São Paulo (SP) e almoçar com apoiadores em Novo Hamburgo (RS).

Com apenas cinco segundos de tempo de TV e sem direito de participar de debates - já que seu partido, criado após as eleições de 2014, ainda não tem congressistas - Amoêdo seguirá apostando em viagens, contato cara a cara e inserções nas redes sociais.

Para Lara Mesquita, pesquisadora do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepesp), da FGV, a exposição poderá ser importante para futuros pleitos, mas o mais importante para o Novo no momento é assegurar uma votação expressiva para ter uma boa bancada no Legislativo, influência que a campanha presidencial pode exercer nessa reta final.

"Por mais que o Novo diga que não quer fazer uso de recursos públicos, se ele não conseguir passar dos 1,5% de votos distribuídos por nove Estados, não vai ter acesso a recursos públicos muito importantes no próximo ciclo, como tempo de TV e rádio e o fundo partidário", afirma.

Henrique Meirelles

O candidato do MDB, Henrique Meirelles, já despejou, de sua fortuna pessoal, mais de R$ 44 milhões na corrida presidencial, mas ainda assim segue com apenas 2% nas pesquisas de intenção de voto segundo o Datafolha. A assessoria do candidato não soube dizer se haverá novos aportes de dinheiro nas duas últimas semanas - sua campanha, até agora, é a mais rica.

A estratégia é continuar apresentando Meirelles como o homem que fez o Brasil crescer quando foi presidente do Banco Central do governo Lula, de 2003 a 2010, e que "arrumou a economia" após o governo Dilma, como ministro da Fazenda de Michel Temer.

Ele também tenta se colocar como a melhor alternativa entre os "extremos", um espaço de campanha já congestionado por outras candidaturas mais competitivas, como Ciro, Alckmin e Marina.

Para o cientista político Jairo Pimentel, a enorme impopularidade do governo Temer, do MDB, dificulta muito que Meirelles suba nas pesquisas apesar da rica campanha. O grande número de candidaturas no centro é outro empecilho, destaca.

Fonte: Uol

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