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Eleições 2018

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Wagner avalia que apenas 18% dos eleitores de Bolsonaro encampam suas ideias

"Muita gente usa o antipetismo como espécie de biongo de explicação, porque não encontra argumento razoável para dizer por quê vota em alguém que fala os impropérios que ele fala"

Por TNews 10/10/2018 às 17:50:42

Em entrevista coletiva em Salvador na tarde desta quarta-feira (10), o senador eleito Jaques Wagner (PT) afirmou que parte do eleitorado de Jair Bolsonaro usa o "antipetismo" como "desculpa" por não ter coragem de assumir que apoia as ideias consideradas "fascistas" do candidato do PSL à Presidência da República.

"Eu acho que muita gente usa neste momento o antipetismo como uma espécie de biongo de explicação, porque não encontra argumento razoável para dizer por quê vota em alguém que fala os impropérios que ele (Bolsonaro) fala. Já ouvi gente dizendo: "Não, é preciso votar nele para castigar o PT". Eu pergunto: você quer castigar o PT ou se castigar e castigar o Brasil? O caminho que vocês estão escolhendo não castiga o Brasil. Ao contrário. Se for esse o caminho a ser escolhido, logo nós vamos voltar para o caminho das "Diretas Já", no sentido de garantia dos direitos elementares da democracia.

Wagner estima, contudo, que no máximo 18% dos eleitores de Bolsonaro concordam de fato com sua ideologia, e credita ao "cansaço com a corrupção" a escolha dos demais simpatizantes do candidato. "Acho que ele deve ter de 15% a 18% dos votos de gente que pensa igual a ele, porque a gente sabe que pensa. Não são poucos os homossexuais, negros mulheres que são agredidos ou estuprados".

O líder petista comentou ainda a onda de ódio que domina as eleições deste ano.

"O juiz que foi para o segundo turno Rio de Janeiro disse que se Eduardo Paes falar qualquer coisa contra ele vai dar ordem de prisão ao vivo. Mas as pessoas acham que não vai acontecer. O episódio daqui do mestre de capoeira… Não estou dizendo que foi fulano que mandou. É que você começa a criar um clima em que as pessoas se sentem no direito de agredir. Agora já tem a moça que foi atacada com um canivete. Já espancaram alguém na Universidade Federal do Paraná. As pessoas se sentem no direito de colocar na rua o monstro que está dentro delas. Não é uma novidade que a sociedade está cheia de gente com diabo dentro do corpo. Que acha que mulher é inferior, negro é inferior, que homossexual é um defeito. Mas acho que isso não passa de 18%. De 18% para 46%, acho que tem decepção com a classe política, não solução dos seus problemas mais elementares (emprego, renda e segurança). Aí as pessoas ficam viajando que um fanático vai ser o salvador da pátria".

Erros do PT

Jaques Wagner voltou a assumir "erros" do PT nos governos Lula e Dilma, como não promover "uma reforma política profunda", mas ponderou que os acertos foram maior do que as falhas, inclusive afirmando que nos governos de seu partido a Polícia Federal ganhou mais autonomia.

"A prosperidade e o benefício que as pessoas sentiram nos nossos governos, seja federal ou estadual, é muito mais forte do que a tentativa de criminalizar o PT pelos erros que o PT cometeu. O PT teve erros, como todos os partidos tiveram. Eu continuo dizendo que o maior erro do PT foi não ter feito a reforma política no primeiro ano, não ter feito a questão do financiamento público de campanha logo que a gente chegou. Acabou que a gente começou a exercer política com um lastro legal que não leva para uma boa política. Isso para mim foi o erro maior do PT. Teve gente nossa que meteu o pé na jaca. Eu tenho tranquilidade de dizer que o benefício que o PT trouxe à democracia é muito maior do que os erros que ele tenha cometido. Sobre o item corrupção, a lei da delação é nossa, a autonomia do delegado na Polícia Federal é nossa. Uma série de legislações que viabilizaram investigações mais profundas fomos nós que fizemos, e essas mesmas leis alcançaram alguns dos nossos".

Fonte: Bahia.ba

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